Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

I Concurso Literário ‘Contos Grotescos’ – Prêmio Edgar Allan Pöe

O sítio ‘CONTOS GROTESCOS’ participa aos leitores que, a partir de 15 de junho a 31 de agosto de 2009, estarão abertas as inscrições para o “I Concurso Literário ‘Contos Grotescos’ – Prêmio Edgar Allan Pöe”, destinado a premiar textos inéditos, escritos em língua portuguesa, por autores brasileiros ou estrangeiros, na categoria literária conto. Poderão participar do Concurso candidatos que apresentem textos inéditos nos gêneros terror, horror, suspense, insólito e ficção científica. A premiação consistirá na publicação dos contos classificados no livro impresso “Antologia - I Concurso Literário ‘Contos Grotescos’ – Prêmio Edgar Allan Pöe” e recebimento de exemplar(es) da obra. As inscrições serão realizadas via internet.

Confira o regulamento no site: http://www.contosdeterror.com.br/concurso

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Fórum

Durante um bom tempo, foi difícil encontrar um fórum – em português – que tivesse como tema principal o terror. Acabei encontrando, em um famoso site que abriga escritores, uma comunidade bem legal, com gente de muito conhecimento sobre o gênero.

Resumindo a história, o nosso espaço no fórum foi cortado, e tivemos que correr para encontrar um novo espaço. Um dos participantes e hoje um grande amigo, disponibilizou-se e criou um novo espaço pra gente. O fórum pode ser acesso aqui: Fórum da Câmara dos Tormentos.

É um espaço legal, aonde grande parte dos integrantes são profundos conhecedores do gênero, e temos discussões bem legais. Não deixem de aparecer.

Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

[REC] (Espanha, 2007)


Devo confessar que, após ler a sinopse, não fiquei muito animado para ver [REC]. Ainda mais ao saber que usaram o mesmo estilo de filmagem popularizado por “A Bruxa de Blair”. É legal, mas em excesso enjoa. Mas, ao contrário do que eu pensava, o pessoal que fez [REC] fez um bom uso deste recurso.

O filme conta a história de Angela Vidal e Pablo, repórteres de um programa noturno que, ao fazer uma reportagem sobre a rotina em um quartel de bombeiros, deparam-se com um chamado de um grupo de moradores que ligou reclamando de uma senhora idosa que gritava como louca em seu apartamento. Quando chegam ao local, os bombeiros entram em ação para arrombar a porta do apartamento da velha idosa, junto com os policiais que já estavam no local. Ao entrar, encontram a velha senhora desorientada, e, segundos depois, ela lasca uma mordida e leva um pedaço da garganta de um dos policiais. Começa todo o desespero, também no momento em que o prédio é lacrado por uma agência governamental e todos são impedidos de sair. A partir daí, o que se segue é uma série de sustos e momentos de tensão.

Fica claro que este é um filme de zumbis. E devo dizer que é um excelente filme de zumbis, o melhor que já foi feito desde a série de Geoge Romero. Embora o filme todo se passe em um único cenário, que é o prédio, a coisa flui perfeitamente. Aliás, um único cenário serve para tornar o filme muito mais claustrofóbico e tenso, ajudado pelo recurso da filmagem feita com a câmera de um dos personagens. Os sustos funcionam bem, a história é boa e os personagens são até interessantes. Um dos poucos inconvenientes é o fato de Pablo ter mal de Parkinson, já que a câmera treme muito, mas era de se esperar, já que o cara está naquela tensão toda e ainda assim tem que continuar a filmar. O final era previsível, mas nada que estrague o filme.


Eu não sabia, antes de assistir este filme, que este é um filme espanhol. James Balagueró e Paco Plaza, os diretores, mostraram que sabem como dirigir um bom filme de terror, cadenciando o ritmo e fazendo com que nos assustemos até mesmo quando já esperamos o susto. Hollywood, como era de se esperar, já preparou o seu remake (e conseguiu estragar) deste filme: chama-se Quarentine e não tem a brilhante direção dos diretores espanhóis.


Ficha técnica:
Título Original: [REC]
Título no Brasil: [REC]
País: Espanha
Ano de lançamento: 2007
Direção: Jaume Balagueró e Paco Plaza
Roteiro: Jaume Balagueró, Luis Berdejo e Paco Plaza
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Jorge Serrano, Pablo Rosso, David Vert

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

O Nevoeiro (The Mist, Estados Unidos, 2007)


Normalmente, os filmes baseados na obra de Stephen King são ruins. Alguns muito ruins. As excessões ficam com Carrie – A Estranha e O Iluminado.

Quando vi anunciarem mais uma adaptação (baseado na novela homônima, publicada no livro Tripulação de Esqueletos), fiquei pensando que viria outra porcaria. Comecei a mudar de idéia quando vi que seria dirigido por ninguém menos que Frank Darabont. Para quem não sabe, Darabont foi responsável por duas excelentes adaptações para a telona de outras duas obras de King, fora do gênero terror: À Espera de um Milagre (The Green Mile – Estados Unidos, 1999) e Um Sonho e Liberdade (The Shawshank Redemption – Estados Unidos, 1994).

O filme O Nevoeiro começa com uma violenta tempestade que devasta a cidade. David Drayton (Thomas Jane, de O Justiceiro), um artista local, corre com seu filho para o supermercado para comprar suprimentos e material para remendar uma das janelas de sua casa, destruida por uma árvore. Neste meio tempo, um estranho nevoeiro toma conta da cidade e acaba deixando David e mais alguns moradores locais presos dentro do supermercado. Logo eles descobrem o que existe algo mais no nevoeiro, e sair dele pode ser fatal.


Intimamente, "O Nevoeiro" é muitas coisas, entre elas, um ensaio sobre o horror na cultura; uma homenagem às várias influências de King (mais notadamente, H. P. Lovecraft e William Golding - autor de O Senhor das Moscas, um dos romances prediletos de King) e uma reflexão sobre a fragilidade da civilização em tempos de crise.

Quem espera ver um filme de monstros, com sangue para todos os lados, pode esquecer. Aqui, os monstros existem, mas praticamente não se pode vê-los. O único monstro – o pior de todos, talvez – que aparece a todo o tempo é o ser humano.

Quando as pessoas estão trancadas naquele supermercado, começamos a ver a civilização em reverso. Vemos uma volta à barbárie, o fanatismo religioso (na pele da Sra. Carmody, muito bem interpretada por Marcia Gay Harden) e a perda de parâmetros.

O excesso religioso que (que algumas pessoas reclamaram), é um ponto muito bem abordado por Stephen King em sua novela. Por outro lado, trata-se também de uma reflexão sobre a fé, não apenas religiosa, mas a fé uns nos outros, no amor e no dever, na esperança de que tudo pode acabar bem. E também sobre a própria falta de fé.

O desespero – consequência do medo do desconhecido – é capaz de transformar o ser humano em uma aberração, e apontar inimigos à sua volta parece ser a única saída para uma situação onde o que importa é sobreviver.

Apesar da grande quantidade de personagens, Frank Darabont conseguiu controlá-los de forma magistral. Após uns poucos minutos já sabemos quem é quem, de quem gostamos, de quem não gostamos, e para quem vamos torcer. Bem diferente de alguns filmes atuais, quando ao misturar dois ou mais personagens, não sabemos mais quem é quem.


O final do filme, apesar de diferente do final original da novela, é simplesmente espetacular. Infelizmente não posso dar a menor pista, do contrário estragarei a surpresa. Mas posso dizer uma coisa: foi uma ousadia que não vemos com muita frequência nos filmes de Hollywood.

Se você quiser uma recomendação de um bom filme de terror recente para ter em sua prateleira, este é o filme.

Ficha técnica:
Título Original: The Mist
Título no Brasil: O Nevoeiro
País: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2007
Direção: Frank Darabont
Roteiro:
Frank Darabont (baseado em novela de Stephen King)
Fotografia: Rohn Schmidt
Música:
Mark Isham
Edição: Hunter M. Via
Maquiagem: Greg Nicotero
Elenco: Thomas Jane, Laurie Holden, Nathan Gamble, Toby Jones, Marcia Gay Harden, Frances Sternhagen, Andre Braugher.

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Eu Sou a Lenda


Alguém disse certa vez que o motivo desta pequena obra-prima de Richard Matheson ter sido tantas vezes adaptada para o cinema (até agora são três, a mais recente tendo Will Smith no papel principal) deve-se ao fato de que ainda estão tentando acertar a adaptação para a telona.

O próprio Matheson colaborou na primeira adaptação (The Last Man on Earth, com Vincent Price), mas o final ficou tão diferente que ele exigiu que seu nome aparecesse nos crédito sob o pseudônimo de Logan Swanson.

Eu Sou a Lenda é um romance curto, ambientado no futuro (em relação ao momento em que foi escrito), e que é pioneiro por oferecer tratamento científico ao mito do vampiro.

A história gira em torno de Robert Neville e tem início em 1976, quando uma guerra atômica levou à mutação de uma bactéria que produz os mortos-vivos, e que destruiu a civilização. Neste incidente, Neville perdeu esposa e filha, e agora vive sozinho em uma casa mantida por um gerador e cercada de alho por todos os lados. Ele vive uma vida auto-suficiente e tem uma rotina; todo dia de manhã ele precisa fazer reparos na casa, sair para buscar mantimentos, e coisas do tipo. Mas todas as noites um grupo de vampiros liderados por seu vizinho Ben Cortman vem assediá-lo, exigindo que saia de casa. Cortman usa diversos artifícios, e um deles é o uso de mulheres vampiras tentando seduzir Neville, que algumas vezes quase cai na tentação.

Matheson consegue fazer com que os leitores sintam o que Neville sente: a solidão de ser o último ser humano na face da terra e os efeitos que isso pode trazer, como o frequente refúgio no álcool, as ansiedades sexuais de um homem solitário, sua luta pessoal para tentar entender o fenômeno do vampirismo e seu esforço para tentar conquistar a confiança de um vira-latas que aparece na vizinhança.
o andamento do romance não tem a rapidez que vimos na última adaptação para a telona, mas nem por isso torna a leitura enfadonha. Os eventos e a linguagem são compactos, assim com a próprio história.

O final da história, que é pouco respeitado nas adaptações para o cinema, é muito interessante, e levanta alguns pontos interessantes, como por exemplo o questionamento sobre o mal ser relativo, podendo ser o herói de um grupo o monstro de outro? E quando a condição humana torna-se minoritária, o que define o que é normal ou não, já que a normalidade é ditada pela maioria, e não pela minoria?

Richard Matheson construiu um clássico com "Eu sou a Lenda", motivo pelo qual de tempos em tempos é não somente foi adaptada ao cinema, como também influenciou uma geração de escritores de terror e ficção científica.

Ficha Técnica:
Richard Matheson, 1954
Título original: I Am Legend
Tradução e Revisão: Jean Steeler
ISBN: 958-16-0201-1